Política Nacional de Design

No mundo actual a maior parte dos Estados ambiciona ter uma economia forte e competitiva a nível global, e também um tecido empresarial extremamente produtivo, criativo e inovador. Segundo Gisele Raulik-Murphy, senior researcher do University of Wales Institute, uma das formas que os países têm para atingir estes objectivos é investir num Sistema Nacional de Design.

Um Sistema Nacional de Design, conforme Gisele Raulik-Murphy define no artigo “An International Perspective”, assenta em 4 pilares:

– Promoção — centros de design, exposições, publicações, prémios, conferências e demais actividades ou informação que tenham como alvo principal o público em geral;

– Suporte — programas de integração em PME’s, aconselhamento e monitorização, programas sectoriais, demonstrações e demais actividades ou informação que tenham como alvo principal a indústria;

– Educação — toda a educação, formal ou não, que permita ao designer ser um bom profissional;

– Política ou Estratégia Nacional de Design – a implementação das 3 áreas de acção acima deverá ser regida por estratégias determinadas pelo Governo que tenham em conta os principais stakeholders (a indústria, o sector do design e os próprios designers, entre outros).

Olhando para o ranking 2009 – 2010 das 20 economias mais competitivas constatamos a ligação entre competitividade e a aposta num Sistema Nacional de Design:

1. Suiça – Promoção do Design

2. Estados Unidos – Promoção do Design mas, estão a ser publicamente debatidas diversas propostas com vista a elaborar uma Política Nacional de Design (http://www.designpolicy.org/)

3. Singapura – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

4. Suécia – Promoção e Suporte do Design

5. Dinamarca – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

6. Finlândia— Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

7. Alemanha – Promoção e Suporte do Design

8. Japão – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design (desde 1956)

9. Canadá— Promoção do Design

10. Holanda – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

11. Hong Kong

12.Taiwan – Promoção e Suporte do Design

13. Reino Unido – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design (desde 1949)

14. Noruega – Promoção e Suporte do Design

15. Austrália – Promoção do Design

16. França— Promoção e Suporte do Design

17. Aústria

18. Bélgica— Promoção e Suporte do Design

19. Coreia do Sul – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

20. Nova Zelândia – Promoção, Suporte e Política Nacional de Design

A nível Europeu lembramos as palavras de Jan R. Stavik, presidente do BEDA: “The European Commission sees design as crucial in bridging the gap between creativity and innovation today. We have achieved a genuine breakthrough for design in Europe, which can boost European competitiveness in the future”.

Talvez no futuro vejamos surgir algum tipo de Política Comunitária de Design ou a sua integração numa grande Estatégia Comunitária de Inovação. Ficamos à espera para ver o que nos trás a European Innovation Strategy a ser revelada em breve.

E em Portugal? O nosso país encontra-se no 43º lugar do index de competitividade. A nível político a importância dada ao design é mínima. Basta ler os programas eleitorais das últimas legislativas e contar as raras vezes em que a palavra “design” é mencionada por cada partido. Além disso, geralmente o contexto da menção não revela uma visão global das potencialidades do design, mas sim uma intervenção pontual na área x ou y. Resumindo, existem programas de Promoção e Suporte do Design, mas não existe em Portugal uma Política Nacional de Design.

Em tempo de crise Portugal não se pode dar ao luxo de continuar a adiar este projecto. É necessário apanhar o comboio da competitividade, sendo necessário investir nos 4 pilares que formam um Sistema Nacional de Design ou, pelo menos, que se lançar um debate público sobre as vantagens e desvantagens da criação desse mesmo Sistema e de uma Política Nacional de Design.

Nesse possível debate os designers, como stakeholders deste processo, deverão intervir activamente, tal como acontece hoje nos EUA, fazendo valer os seus pontos de vista, sugerindo medidas, fazendo a sua voz ouvir junto dos decisores políticos. Os designers apesar da sua intervenção social, económica e cultural, muitas vezes colocam de parte a intervenção política, o que parece contribuir para o poder político também continuar a colocar-nos à parte. É necessário sonhar, planear e agir um futuro melhor e todos os designer são necessários.

“Bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós”—Charles Montalembert

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